quinta-feira, 17 de Dezembro de 2009

Um livro

Passei pela editora ontem e ofereceram-me. A primeira coisa que ensina é a «cozinhar um bife e fazê-lo parecer uma obra-prima». Percorrendo as páginas ao acaso fiquei a saber que ensina também a «fingir que [se] gosta de dançar», «fazer anéis de fumo com o cigarro», «pagar a conta do restaurante», «falar com ex-namoradas», «reconhecer seios naturais», «fumar marijuana», «denegrir um rival», «comprar flores para oferecer a uma senhora», «falar de assuntos de sociedade» ou «guiar uma retroescavadora». Se descobrir lá qualquer coisa sobre como gerir um clube de futebol (ou, vá lá, a porcaria de uma sade…), talvez compre um exemplar para mandar pelo correio ao cuidado do senhor ali de baixo.
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segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

O presidente mais distante

Enquanto o Sporting se afunda, José Eduardo Bettencourt passeia lá bem longe, em Nova Iorque. Parece tranquilo. Com as dezenas de milhares de euros que leva todos os meses (sem apresentar resultados), não é de admirar.
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Foto: Pedro Simões (Record)
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Mais um excerto

Mais um excerto de «O Sorriso Enigmático do Javali».
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O pai do pequeno Tuki estava a pensar nisso, nos anões da escritora espanhola, de repente transformados em gigantes e a terem uns braços capazes de envolver o tronco de uma oliveira que de certeza estava ali havia séculos. Com buracos, fendas, recantos, aquilo nem era bem um tronco, era uma enorme massa de madeira com muitas, muitas histórias, de certeza. Podia dizer isso ao filho, começar a falar do tronco, de coisas a que ele, tronco, talvez tivesse assistido, das pessoas que por perto teriam estado, de quem o teria limpado ao longo dos anos como agora estava a fazer. Ia mesmo falar disso ao filho, que continuava junto da fogueira a puxar o pasto com o ancinho. Ia-lhe dizer, mas algo o impediu de fazê-lo. Não foi uma lembrança, uma coisa diferente em que pensar, talvez em que falar. Não, não foi isso.
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domingo, 13 de Dezembro de 2009

Aos poucos, José Eduardo Bettencourt está a acabar com o Sporting

Aos poucos, José Eduardo Bettencourt está a acabar com o Sporting. O jogo de ontem ao fim da tarde, com o Leiria (Sporting 0, Leiria 1), foi mais uma prova disso. Todo o futebol do clube tem sido pensado e gerido de forma desleixada, incompetente e até, arriscaria a dizer, muito pouco sportinguista.
Já se sabia que esta derrota poderia acontecer, porque com o actual estado de coisas a derrota pode surgir em qualquer jogo. Dá-me a ideia de que Carlos Carvalhal ainda não percebeu naquilo em que se foi meter; nem com a gente que se deixou misturar. Pelo meio, tenta mudar algumas coisas, mas com um plantel feito tendo como inspiração o desleixo e como foco o desinteresse, nunca pode mudar tanto como seria desejável. Se bem que talvez já tivesse sido altura de pôr outro guarda-redes (Rui Patrício hoje apesar de só ter sofrido um golo deu dois frangos, o golo propriamente dito e a bola que bateu na barra), de arranjar um júnior qualquer para o lugar de Caneira (que parece apostado em recuperar) e de ter posto definitivamente de lado o medíocre Polga. E outra coisa: eu que tenho muita consideração por Carlos Carvalhal, fiquei espantado com as declarações que fez no final do jogo, das oportunidades perdidas, do domínio exercido e por aí adiante; ele deve ter visto outro jogo, porque as oportunidades não foram tantas como isso e o Leiria ainda por cima foi prejudicado porque anularam-lhe um golo legal, que deixaria o resultado em dois a zero.
Se houvesse uma época de reabertura de mercado para presidentes, talvez se pudesse pensar em construir alguma coisa no Sporting. Infelizmente não há, daí que nos reste ir pagando mês a mês um dinheirão a José Eduardo Bettencourt para ele, também mês a mês, ir acabando com o clube. Ao menos que acabasse com a sade…
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sábado, 12 de Dezembro de 2009

A primeira frase (6)

«Há dezoito anos, talvez dezanove, fugi.»
Primeira frase do romance «O Medo Longe de Ti».
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quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009

Enfim...

O fim da semana a chegar, o Sporting jogou na segunda-feira – Setúbal 0, Sporting 2 (Liedson 2) – e eu nem escrevi nada. Lembro-me de que no segundo golo (uma situação patética) disse para comigo que o miserável Caicedo de certeza que haveria de falhar, se estivesse no lugar de Liedson. Enfim…
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terça-feira, 8 de Dezembro de 2009

Dois guardas

Ontem, aqui à porta de casa, o Sol e o Lito, de guarda.
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segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

Uma apresentação

Ascenso Simões, secretário de Estado do anterior governo de José Sócrates, publica na última edição do «Expresso» um artigo não me lembro agora sobre o quê. O jornal apresenta-o como «dirigente nacional socialista».
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domingo, 6 de Dezembro de 2009

António Souto – Crónica (18)

Crises de crença
1)
Como se diz numa linguagem de rés-do-chão, a coisa está preta. A crise veio e instalou-se, embora haja por vezes um ou outro Pangloss que afirme que ela está de partida ou que até já se foi. Mas a gente sabe que ela anda por aí, como a gripe A1N1, e que faz ou pode fazer estragos, aos outros ou a nós, e o que mais nos aflige é não sabermos se a vacina actua ou não, se chega ou não para todos. Com a crise galopa o desemprego, sem freio, por todos os montes e vales, campos e cidades do país, e dos que passam por ele, pelo desemprego, quase 250 mil não acedem, porque não podem, a contas bancárias – cerca de 30% deles porque cometeu alguma infracção, os restantes 70%, dizem-nos, porque não têm rendimentos que permitam quaisquer movimentos. São parcos os euros para justificarem a ilusão de um cartão de crédito na carteira, sequer um de débito, e os poucos que lhes passam pelos bolsos matam-lhes a dignidade, dizem-lhes que não são gente, ou que não passam disso mesmo, de gente de indigentes numa pátria do norte, rica e desenvolvida. E parte deste povo que há pouco partiu, volta a partir, ainda mais para norte, onde a crise é menos crise e as pessoas ainda são pessoas para além de gente. A pena que me faz, agora que se evoca Ary dos Santos, não haver quem cante este infortúnio, não haver vozes que se indignem.
2) O tecido produtivo (fica bem de vez em quando falar como quem fala bem) está abalado, isto é, como todos os outros, em crise. Crêem os entendidos que o problema reside sobretudo nas pequenas e médias empresas (PME, também para impressionar), que é quem mais produz e anima o mercado (mais uma expressão a mais), que estão em sufoco e que o estado as não apoia como seria sua obrigação, que não rendem como podiam e que por isso as exportações não cobrem as importações. Cá para mim estou em crer que andamos todos às avessas – para que havemos de impulsionar (mais um palavrão bonito e à la mode) a indústria se somos é mesmo bons no comércio, na charlatanice, sempre fomos, de resto, desde que vencemos Baco nos idos de quinhentos. O que a gente gosta é de negociar e de negócios, seja com quem for e venha quem vier. Não espanta, portanto, que apesar da crise haja alguns (negócios) que vão de vento em popa, principalmente daqueles de encher o olho, daqueles de fausto mercado, como carros de alta gama, roupa de alta-costura, jóias de alto valor. Pelo menos a fazer fé nos registos que nos asseveram que o mercado de luxo está em alta e, pasme-se, que cerca de 30% desse mercado se faz com cidadãos angolanos. É tudo questão de regressar às origens, de descobrir novas índias e de nos convertermos em mercadores de um novo tempo.
3) A crise é crise. Financeira, de estímulo ou de fé. A todo o momento pode ela chegar à porta de um qualquer insuspeito e entrar, sem bater, e instalar-se no seu bolso ou no seu coração. Pelos vistos, ninguém lhe é imune, nem mesmo quem por vocação se apartou dos bens terrenos poderá dar graças a Deus por estar a salvo. Soube-se há pouco que um padre, jovem ainda, tendo esperado pacientemente que a sua amada atingisse os dezoito anos, fugiu depois com ela das bandas de Celorico (de Basto) para parte incerta. Os pais da moçoila não assentiam com estes desatinos de eros, mas ela sim, que era para além de vacinada já maior, e a crise, a haver, seria a do seu abençoado amador.
4) Tomara que fossem todas as crises como esta, de crença!
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Crónica de Novembro de 2009 de António Souto para o blog «Floresta do Sul»; crónicas anteriores: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 17.
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sábado, 5 de Dezembro de 2009

O Sporting, a escrita, o sorriso da Mona Lisa, o sorriso de um javali

Desta vez não vi o jogo – Sporting 1 (Grimi), Heerenveen 1. Já há uns tempos tinha recebido um convite para ir a uma das sessões do curso de escrita criativa de José Couto Nogueira no El Corte Inglés, em Lisboa. O dia marcado era três de Dezembro, e então lá perdi o jogo. Pelo que soube depois, não devo ter perdido grande coisa.
Cheguei à sala do curso às oito, a hora marcada, cinco minutos antes de o jogo começar em Alvalade (jogo às oito e cinco, tipo superstição). Encontrei a porta fechada, o que me deixou um bocado surpreendido. Abri a porta, pensando que o mais certo era ainda ninguém ter chegado, e para minha surpresa dei com a sala cheia de gente (umas sessenta ou setenta pessoas). Era o curso, que – como me explicaram depois – decorria das sete às nove (primeira hora lá com as matérias deles, segunda eu a falar dos meus livros, do que escrevia, e a responder a perguntas).
Acabou por ser muito divertido. Contei as minhas coisas dos livros e da escrita, dei por mim a rir montes de vezes e com as pessoas também a rirem, e interessadas, participativas. Ou seja, correu bastante bem. A pergunta que me deixou mais atrapalhado foi a de uma participante que queria saber se o livro que acabo de terminar, «O Sorriso Enigmático do Javali», tinha alguma coisa a ver com a Mona Lisa e o seu sorriso (seu, já se vê, da Mona Lisa). Não tinha, ou melhor, não tem. Se tivesse até seria fácil a resposta, assim lá tive de explicar o sorriso do javali. Expliquei, e como bónus contei a história que me levou a escrever o livro… Um dia de manhã, bem cedo, eu de regresso a casa depois de uma directa a trabalhar, e no meio do montado aqui à volta cinco javalis numa correria maluca, talvez para ver se não eram apanhados de dia fora dos esconderijos. Um deles acabou por ir contra um sobreiro e ficou a dormir. Quando me aproximei, esse javali parecia sorrir, de forma enigmática. E mais não conto aqui. No curso contei um bocadinho mais.
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sexta-feira, 4 de Dezembro de 2009

O desequilibrista

«Tirando este desequilíbrio, o Benfica tem um plantel mais ou menos equilibrado.»
Jorge Baptista, comentador da SIC (referindo-se a problemas na defesa do Benfica, no comentário ao último jogo europeu)
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quarta-feira, 2 de Dezembro de 2009

Revista «human» de Dezembro

(clicar na imagem para aumentar)
Nas bancas a partir de hoje. É a edição Premium, que assinala o primeiro aniversário do projecto. Mais informações sobre a edição aqui. Deixo a seguir o meu editorial…
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Um ano
Com este número 12, a revista «human» completa o primeiro ano de vida. Fazendo parte de um projecto mais vasto para o mundo dos recursos humanos e da gestão, é agora uma aposta ganha, por tudo aquilo que ao longo de 2009 fomos construindo; nós próprios – as pessoas mais directamente ligadas ao projecto –, mas também tantas outras pessoas, dos mais variados quadrantes. O que sentimos, mês após mês, foi um permanente apoio, e é esse apoio que agora agradecemos. Leitores, anunciantes, colaboradores, assinantes, parceiros, tanta gente que nos tem ajudado a levar em frente este projecto, sempre com uma enorme naturalidade.
Este número é especial. A nossa edição «Premium» do nosso primeiro ano. Saindo do alinhamento habitual, o que apresentamos são 36 perspectivas portuguesas sobre a gestão das pessoas nas organizações, que dividimos em diversas áreas. Não se trata de uma escolha exaustiva, procurando abarcar todas as áreas que possam incluir-se num campo tão vasto como o da gestão das pessoas. Escolhemos apenas algumas, às quais pela sua importância fomos dando atenção ao longo do ano. São as seguintes: Consultoria, Recrutamento e Selecção, Formação, Coaching, Trabalho Temporário, Tecnologias de Informação, Saúde e Segurança no Trabalho e ainda Planos de Pensões. No caso das últimas duas, aparecem juntas, com uma abertura única, pelo facto de publicarmos apenas dois contributos para cada, e também por alguma ligação que vemos entre ambas; ou melhor, entre a ideia de prevenção das condições em que o trabalho é desenvolvido e a ideia de prevenir o futuro (no sentido de assegurar que na reforma as pessoas possam ter condições financeiras que lhes permitam manter o nível de vida conhecido ao longo da sua carreira profissional).
Na edição de Janeiro, voltaremos ao formato habitual.
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segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

Um blog para «O Sorriso Enigmático do Javali»

Já foi em Outubro, mas só agora faço a divulgação. Tal como aconteceu na altura em que acabei o meu anterior romance (ver aqui), criei um blog para o novo livro, «O Sorriso Enigmático do Javali». Pode ser consultado aqui. Ainda não tenho informações concretas sobre a publicação.
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Os tempos de agora

«Isto agora, soutora, quem não é arguido já não é ninguém na vida.»
(ouvido há uns dias, num restaurante em Lisboa, perto da assembleia)
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A primeira frase (5)

«Às vezes, carinho, dou comigo a ver-te no mar.»
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Primeira frase do romance «Os Sonhos e Outras Perigosas Embirrações».
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domingo, 29 de Novembro de 2009

Ontem, em Alvalade

O jogo com o Benfica (Sporting 0, Benfica 0), apesar do mau resultado, pode ser visto como bem positivo. Acabou o miserabilismo de tempos recentes, a desorientação, a falta de empenho, a tendência mórbida, o espírito de derrota, o recalcamento, entre tantas desgraças. Mérito, sem dúvida, de Carlos Carvalhal; que não sei se vai ganhar alguma coisa, ou aguentar muito tempo (com os incompetentes dirigentes do clube onde está, o melhor é nem arriscar previsões).
Outras ideias sobre o jogo:
- o Benfica não está tão forte como o pintavam (já se suspeitava), mas está muito mais forte do que qualquer das patéticas equipas que apresentou nas últimas épocas;
- o Sporting entrou com uma equipa competitiva, apenas correndo riscos na baliza (mas o guarda-redes até esteve bem), no centro da defesa (o conhecido desajeitado Polga) e na esquerda também da defesa (Caneira, que apesar de tudo talvez seja um mal menor do que Grimi, além de ser uma espécie de prémio Nobel do futebol em comparação com o inconcebível André Marques);
- qualquer da equipas poderia ter ganho;
- o árbitro prejudicou mais o Sporting do que o Benfica, sobretudo nos cartões (Maxi Pereira e David Luiz deveriam ter sido expulsos), e nas dúvidas de grandes penalidades fiquei com mais num lance de David Luiz sobre Liedson do que de uma bola na mão de Polga (de quem haveria de ser?);
- foi uma pena Luisão não ter jogado (as hipóteses de o Sporting ganhar o jogo teriam subido);
- para além dos falhanços e das defesas (de ambos os lados), a maior frustração para mim foi o guarda-redes do Benfica ter defendido o pontapé de muito longe de Miguel Veloso (normalmente os guarda-redes não chegam àquelas bolas, mas o que o Benfica utilizou tem realmente muito valor e se às vezes falha há outras, como naquele lance, em que parece ser o número um ideal);
- o Benfica pensa que tem um grande ponta-de-lança (o paraguaio com nome de inspector da PIDE), e com os golos que ele tem vindo a marcar essa crença ainda se nota mais, mas continuo a achar que ele não é assim tão bom como isso;
- no meio do entusiasmo do público sportingista, a imagem de José Eduardo Bettencourt na tribuna, triste, alheio, desfocado (até sem uma sombra do entusiasmo anedótico que tantas vezes nos tem envergonhado), pareceu-me completamente desenquadrada;
- Jorge Jesus, nas declarações que fez a seguir ao jogo, provou de novo que não tem jeito nem para o português, nem para a boa educação.
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quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

Que vergonha!

José Penedos, presidente de uma das maiores empresas públicas portuguesas, indiciado por prática de crime de corrupção, suspenso de funções e a ter uma caução fixada em quarenta mil euros.
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quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Romance «Uma Noite com o Fogo»

Para seguir o blog do romance «Uma Noite com o Fogo», clicar aqui.
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Era o fogo. Andava à solta nos montes, embora visto dali, a uns cinquenta quilómetros de distância, parecesse apenas uma lâmpada enorme, de luz avermelhada, para iluminar as terras em redor. Ou um sinal. Talvez pudesse parecer isso também, um sinal para os barcos que andassem do outro lado, perto da costa. Eu imaginava estas coisas para o clarão do fogo, até que fosse um aviso para os aviões que sobrevoassem de noite aqueles montes. Não se desse o caso de irem eles lá bater, no sítio que passava dos novecentos metros, no que por pouco não atingia os oitocentos ou até noutro qualquer com menos ilusões de chegar às nuvens. A minha imaginação com os montes, as nuvens e os aviões, depois dos barcos perto da costa. Eu estava na berma da estrada, fora do carro, no primeiro sítio de onde tinha conseguido avistar o clarão. Era pouco mais de meia-noite, a fazer fé no que mostrava o relógio do carro.
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